segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Ford Corcel

O Corcel foi um "grande" carro da Ford que marcou época desde a sua estréia no Salão do Automóvel de São Paulo, em Dezembro de 1968, até o ano de 1986, quando foi encerrada a sua produção.

No ano em que lançava o Galaxie no Brasil, a Ford iniciou as negociações para adquirir a Willys do Brasil, empresa que fabricava carros como Rural, Jeep, Aero Willys, Itamaraty e Gordini.

Após comprar a Willys, além dos já consagrados carros, a Ford também recebeu no pacote um carro que estava em fase final de lapidação e testes, até então conhecido como "Projeto M", esse carro futuramente seria chamado de Corcel, seguindo a linha da Ford de batizar seus carros com nome de raças de cavalos, como por exemplo, o Mustang.

O "Projeto M" foi desenvolvido pela Willys do Brasil em conjunto com a Renault francesa, que futuramente lançaria o Renault 12, baseado nesse projeto. A influência brasileira nesse carro era notável, a grade em formato de "V" era a mesma da Rural e do Aero Willys.


Corcel 1968, grade em formato VCorcel, grade em formato "V"

Vamos destacar suas principais reestilizações:

No final de 1968 a Ford lançou oficialmente a primeira versão do Corcel. O modelo de Quatro portas era considerado um carro médio e vinha equipado com um motor dianteiro de 4 cilindros em linha, 1280 cc, 68 cavalos a 5200 rpm e 9,8 kgfm de torque a 3400 rpm, circuito selado de refrigeração e câmbio de quatro marchas.

Corcel 1968, modelo de 4 portas.

Corcel Coupê

No ano seguinte a Ford lançou o modelo coupê, que além de possuir duas portas a menos, sua coluna traseira era mais grossa possuindo um maior ângulo, aliado a um discreto aumento nas linhas traseiras do carro, o que lhe dava uma aparência mais sofisticada para a época. Esse carro chegou a ser visto com um dos mais bonitos do país.

Corcel Coupê, 1969, modelo de 2 portas.


Corcel GT - A evolução da linha Corcel com seu modelo esportivo

Ainda no ano de 1969, mais precisamente em julho, a Ford lança o modelo GT para corrigir um dos problemas do Corcel, que apesar de ser um carro muito econômico, chegando a percorrer 12km/litro, era um carro de baixo desempenho e alto peso (930 kg). Esse peso se justifica pelas intenções da Ford em fabricar um carro forte e de alta durabilidade.

A Ford corrigiu esses problemas lançando o modelo GT, que se diferenciava dos demais por possuir um carburador de duplo corpo e coletores especiais. No entanto, essas mudanças não foram suficientes para que o GT tivesse um grande desempenho. Após identificar esse problema a Ford tratou de desenvolver um novo motor para o GT, chamado de XP. Esse motor possuía uma maior cilindrada (1372cm3) e potência de 85 cavalos.

Corcel GT, 1969, modelo de 2 portas.Corcel GT, 1969, modelo de 2 portas.

O GT possuía rodas esportivas e sua pintura era especial, seu capô era em preto fosco e possuía um falso scoop, visto que não existia uma admissão de ar através dele. Ainda em sua frente o carro recebeu faróis de longo alcance. Internamente, seu teto recebeu forros de vinil. Em suas laterais, o GT era decorado com faixas pretas que se estendiam por toda lateral que ainda incluía a inscrição da sigla "GT". Os instrumentos internos eram mais completos que os modelos mais simples.

Uma das propagandas do Corcel GT, capô em preto fosco e falso scoop.

Perua Corcel (Belina)

Pouco tempo depois do lançamento do Corcel Coupê e GT, a Ford completa a série lançando a perua Corcel, que ficou mais conhecida como Belina. Esse carro possuía uma textura lateral que imitava madeira.

Perua Belina, 1970, textura imitando madeira.

Linha Corcel 1973, novas reestilizações

Linha Corcel 1973 - GT, Coupê e Belina.

No ano de 1973, toda a linha Corcel passou por algumas re-estilizações, recebendo uma nova grade e o novo logotipo da Ford em um emblema redondo e centralizado, um capô um pouco menos reto e mais levantado nas linhas dos faróis, lanternas mais modernas e pára-lamas com novas curvas. Os modelos sedã, coupê e belina foram equipados com o motor GT de 1,4 litros.

Corcel coupê 1973 com novo emblema da Ford na grade.

Após essa série de re-estilizações, o Corcel GT passou a se diferenciar dos demais apenas por sua estética, passando a possuir duas faixas pretas paralelas nas laterais e no capô, faróis adicionais com formato retangular e uma nova grade.

Propaganda do Corcel GT 1973, capô com duas faixas pretas e faróis extras em formato retangular.

Dois anos sem grandes mudanças até o ano de 1975

Dois anos se passaram sem novidades para a linha Corcel. Após esse período o Corcel foi contemplado com algumas pequenas mudanças na grade frontal e na traseira que passou a receber lanternas com formato retangular ligadas por uma faixa em cor preta. O painel interno também recebeu algumas mudanças estéticas.

Corcel GT - faróis traseiros em formato retangular.

A maior mudança no entanto veio com o lançamento da versão LDO (Luxuosa Decoração Opcional) do Corcel, nas versões coupê e belina, que eram carros mais luxuosos e possuíam interior requintado com cores internas e externas combinadas e estofamento bege e marrom, externamente essa versão possuía em suas laterais filetes em cores contrastantes e rodas esportivas, as mesmas usadas no modelo GT.

Quase 10 anos depois, surge o Corcel II

Após quase 10 anos do lançamento do Corcel, no final de 1977 foi feita a maior re-estilização do carro. Essa grande modificação fez com que a Ford o batizasse de Corcel II.

Uma das propagandas do Corcel II com Ayrton Senna.

Em se tratando de design era um novo carro, possuía uma carroceria muito mais moderna, seguindo a tendência utilizada pelos concorrentes da época. Uma das coisas observadas nessa nova tendência era os imensos faróis retangulares que formava um conjunto de lanternas frontais e laterais maiores, da mesma forma eram as lanternas traseiras. A carroceria era mais inclinada em sua parte traseira e possuía linhas e curvas.

Em relação a mecânica, não houveram grandes mudanças, o motor continuou o mesmo. Foram realizadas apenas algumas mudanças na suspensão e alguns ajustes mecânicos. No entanto, o modelo GT passou a possuir mais 4 cavalos de potência em relação aos modelos L e LDO o que não era uma grande diferença.

Devido ao aumento de peso e a manutenção do motor, o Corcel II tinha um desempenho fraco em relação aos seus concorrentes, fazendo no máximo 135 km/h e levando 23 segundos para atingir a marca de 100 km/h. O que salvava esse carro era o seu motor bastante econômico e confiável e sua manutenção barata.

No ano de 1979 toda linha Corcel II recebeu um motor de 1.6 litros com 90 cavalos a 5600 rpm e 11 kgfm de torque, além de um câmbio de 5 marchas. O motor 1.4 foi mantido para os que preferiam os motores econômicos. O modelo 1979 era muito bem acabado e luxuoso.

Corcel II 1980 - Motor à álcool

Em 1980 o Corcel II passou a contar com o motor à álcool, que foi considerado o melhor motor movido à alcool daquela época.

No ano de 1980 a Ford lançou o Del Rey, que era um carro semelhante ao Corcel II mas possúia diferenças estéticas e um melhor acabamento.

Em 1984 o Corcel II ainda recebeu um novo motor, vindo do recém lançado Escort e sofreu algumas mudanças estéticas. Em 1985 modificações foram feitas nos faróis dianteiros e traseiros, além de outros detalhes, seguindo a tendência da época.

No ano de 1986 o Corcel inspirou o lançamento de mais um carro, dessa vez a versão picape, que foi chamada de Pampa.

Corcel II 1986.

Ainda no ano de 1986 e após quase 20 anos e mais de 1,4 milhões de unidades produzidas, a Ford deu fim a produção do Corcel, um "grande" carro, que marcou época enquanto foi produzido e deixou saudades.

Curiosidades

Veja a seguir alguns comerciais da linha Corcel.

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Ford Corcel: Comercial antigo anos 70 (Vintage Commercial)

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Comercial Corcel Linha 75 - Repórter Dick Vigarista

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Comercial Corcel 1970 - Salvando a mocinha

Veja aqui o quadro “Lata Velha”, do programa Caldeirão do Huck, que restaurou um Corcel II

Atualmente o Corcel também participa de competições nacionais de carros antigos, como a Super Classic. O colega Renato compete com o Corcel Nº 14 nessa competição e nos enviou algumas fotos e um vídeo da competição com o seu Corcel.



Vídeo do Renato competindo com o Corcel 14, pela 6ª Etapa da Super Classic em Interlagos.

Corcel 14 do Renato, Competindo em Interlagos pela Super Classic Corcel 14 do Renato, Competindo em Interlagos pela Super Classic.

Preços

Fazendo uma pesquisa nos preços dos modelos Corcel e Corcel II, encontramos carros variando de R$1.100,00 (necessitando reparos) a R$25.000,00.

Você que tem um Corcel ou é um admirador deste modelo, deixe seu comentário e fale sobre sua experiência com este carro que saiu de linha mas fez história.

4 comentários:

Anônimo disse...

Dos "fora-de-linha" é o meu preferido, meu pai possuio um 1968 (carburador Francês, dínamo Alemão (não era alternador ainda), 04 portas branco com viníl preto, banco inteiriço na frente (raridade até na época), motorzinho 1.3 muito valente, excelente carro. Depois possuio uma belina 1980 LDO 1.6 x 5 marchas a alcoól e eu possui um Del Rey Ouro 04 portas a alcoól 1984, um dos melhores carros que já tive. Corcel sempre foi sinônimo de robustez, economia e conforto. Atualmente procuro um exemplar muito bem conservado e a preço justo p/ colocar na garajem e "voltar no tempo" ao usá-lo... .Adhemar8

Anônimo disse...

Ola amigos....Meu pai sempre foi apaixonados pelos corceis, na época ele teve desde corçel, corçelII e ate a revolução das maquinas "Del Rey".
Ele me deixou um Ford Corçel Del Rey 1985/86 todo original de fabrica. Possui Nota Fiscal, manual, radio da ford, chaves originais do carro e etc.....Hoje o carro esta comigo, meu pai veio a falecer no começo desde ano. Gostaria muito de poder estar cuidando deste carro, mas nao tenho tempo pra isso, gostaria se alguem se interessar pelo carro, por favor entrar em contato comigo: leodasondas@hotmail.com - 11 71666571 - Leandro

Hodney Fortuna disse...

Meu pai tinha um Corcel II ano 1982 e ficamos com ele de 1985 a 2003. Em 1999 meu pai comprou um GolGIII zerokm e me doou o velho Corcel. Durante esse período o carro foi marcado pelo seu conforto e estabilidade.

cobacho disse...

O Pampa não é de 1986 e sim de 1982..

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